Mercado capixaba adota tendência sustentável

Não é de hoje que percebemos um novo perfil do público ao escolher um produto ou serviço. Estão todos mais atentos e preocupados com a história por trás do que é oferecido, levando em conta os conceitos sustentáveis do negócio, como testes em animais e reaproveitamento de materiais. Uma pesquisa da Opinion Box, em 2017, com internautas no Brasil, revela que 91% dos consumidores se importam com a sustentabilidade de quem está fornecendo o produto.

Este conceito que já é valorizado nacionalmente, mas parece ter chegado, recentemente, com mais intensidade no Espírito Santo, onde muitas empresas estão de olho neste novo comportamento e adaptam produtos e serviços para atender esta característica. Dentro deste universo consciente do consumo, o veganismo, por exemplo, é uma prática que tem ganhado cada vez mais adeptos. Pela definição, este tipo de produto não usa nenhum ingrediente ou derivado de animal. Normalmente, eles têm motivações ideológicas e ambientais. E para atender este público as marcas estão mais atentas com produtos que possuem este olhar da sociedade.

No setor da beleza, esta preocupação está presente na produção de cosméticos. De acordo com a farmacêutica Luiza Scardua, da Globo Fórmula, geralmente os produtos veganos são biocompatíveis com a pele, sendo mais fáceis de serem absorvidos e, consequentemente, dando resultado mais rápidos. “Para que seja considerado vegano, eles não podem conter ingredientes de origem animal – como mel, leite, cera de abelha, lanolina ou colágeno. Por isso, também, é uma boa indicação para aquelas pessoas com peles muito sensíveis e propensas a alergias, já que eles possuem menos ingredientes em suas composições”, recomenda.

Há alguns anos, os veganos não tinham quase nenhuma opção de produtos para consumirem, mas de uns tempos para cá o leque está cada vez maior e estes consumidores têm movimentando um mercado que cresce 40% ao ano. Para ter uma ideia, basta uma pesquisa rápida na internet: em alguns cliques aparecem várias opções de comércios e empresas com produtos disponíveis, que atendem esta característica.

Outros segmentos

Desde que pensou na construção da sua loja – que reúne moda, arte e design em um único ambiente –, Arly Coelho tem adotado a ideia de trabalhar com o conceito sustentável no posicionamento da Simultâneo, em especial com a mobilidade das marcas no ambiente. E para esta temporada, o empresário aposta mais uma vez nesta tendência com a chegada das criações da coleção Linha, da estilista capixaba Júlia Patêz, apresentadas por ele com exclusividade no estado.

A Linha utiliza tecidos de fibras naturais, de fábricas brasileiras, que são feitos com restos de descarte da própria indústria da marca e tecidos de fábricas que reciclam CO², água do tingimento e que se preocupam com o meio ambiente tanto quanto a empresa da estilista capixaba. “Pouco a pouco as peças vão ficando prontas de um jeito bem orgânico e natural e respeitando o tempo da pequena cadeia que nos atende. Tentamos abraçar o máximo de coisas que conseguimos para que o nosso produto cause um impacto mais positivo do que negativo no mundo”, destaca Julia Patêz.

Para o empresário Arly Coelho, trabalhar com este conceito faz todo o sentido com o posicionamento de sua loja. “Adotamos esta ideia da mobilidade das marcas no espaço, justamente pensando na sustentabilidade, no conforto e na durabilidade dos produtos. São critérios sempre utilizados na escolha dos itens que serão apresentados aos clientes. Por isso, acho importante nesta temporada mostrar uma marca essencialmente sustentável, que respeita o ambiente em que vivemos desde o início da concepção das peças até o fim do seu ciclo de existência”, afirma.

No ramo de acessórios, as empresárias Raquel e Vanuza Melo também perceberam essa tendência e passaram a comercializar sapatos veganos e modelos sustentáveis na multimarcas Bargain, com unidades na Praia do Canto, Jardim da Penha e Praia da Costa. Elas incluíram no mix de produtos os calçados da marca Ipadma, originários de uma pequena indústria em Três Coroas, no Rio Grande do Sul. Com design moderno e confortável, os modelos da linha VEG são elaborados com tecidos sustentáveis e microfibra em poliuretano (PU), que é absorvente e anti-bacteriano. O solado é feito de mix de borracha reciclada e a colagem à base de água, que preserva a camada de ozônio, ou seja, existe um baixo impacto ambiental, da criação a produção.

Construção civil

A onda verde também é tendência na construção civil e um projeto para ser considerado sustentável deve ter soluções conscientes desde a concepção, até a execução, ampliação, materiais, reforma e até mesmo na demolição. A construção verde além de amenizar os impactos à natureza, reduz os resíduos e utiliza com eficiência os materiais e bens naturais, como água e energia, gera menos manutenção e valoriza o imóvel. E é perfeitamente possível aliar sustentabilidade, estética, funcionalidade e design.

De acordo com o engenheiro civil Renato Foreque, da Guide Engenharia, algumas soluções verdes para uma construção ser sustentável incluem captação e reaproveitamento de água de chuva e dos chuveiros, torneiras com arejador que podem economizar até 20% em relação às normais, descargas com fluxo duplo e painéis solares. Alguns materiais que podem ser usados são madeira plástica, revestimento de bambu, tinta mineral natural, bloco de adobe. tijolo prensado e energia solar fotovoltaico.

Valorização da marca

Numa pesquisa realizada pela Opinion Box para entender a preocupação dos consumidores em geral com a sustentabilidade, foram apontados os principais motivos que impediriam a efetivação de uma compra ou contratação de uma empresa. Apontado por 66% dos entrevistados, a maior preocupação deles é se a empresa está envolvida em casos de trabalho escravo. Marca conhecida por poluir o meio ambiente (65%) e envolvida em escândalos de corrupção (63%) estão em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Dentro deste assunto, o especialista em Marketing, Marcelo Braga, destaca que é importante também para a sustentabilidade do negócio não tentar se beneficiar deste conceito sem oferecer os produtos e serviços com essas características. “Não dá para surfar nesta onda, se a empresa não tiver atitudes que refletem a preocupação dela com o planeta e o meio ambiente. Ás vezes, o transtorno causado pela repercussão negativa da criação de um comportamento que não condiz com a prática pode ser pior do que a entrega de um serviço ou produto que não atende essas condições”, orienta.

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