Implante inédito de coração artificial é realizado no Espírito Santo

Depois de sofrer três infartos e apresentar um estado de insuficiência cardíaca grave, ter um coração funcionando perfeitamente parecia pouco provável para Silvestre Pereira da Silva, de 56 anos. Seu coração estava entrando em falência e por uma junção de problemas clínicos, um transplante de coração não solucionaria seu problema. Mais do que um coração novo, Silvestre necessitava de uma técnica que o ajudasse a suportar todas essas complicações e que o mantivesse vivo.

Foi quando entrou em cena uma equipe de médicos do Hospital Metropolitano, do Grupo Meridional, determinados a salvar a vida de Silvestre. Para isso, recorreram a uma intervenção tecnológica inédita no Estado – o implante do mais moderno coração artificial do mundo. “Trata-se da terceira geração do HeartMate III, aparelho aprovado em agosto do ano passado pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana, e considerado um avanço de tecnologia pelo seu mecanismo de funcionamento e também um salto de qualidade de vida para o paciente em relação aos modelos anteriores”, afirma Dr. Assad Miguel Sassine. “Esta foi a sexta vez que este dispositivo foi implantado no Brasil e a primeira vez no nosso Estado. O caso de Silvestre foi comemorado com sucesso por todos nós da equipe médica”, relata.

A cardiologista Fernanda Bento, que acompanhou o Silvestre desde sua entrada no Hospital, explica que, através desta tecnologia de ponta, em quatro meses, Silvestre passou de um quadro de insuficiência cardíaca avançada grave, com um coração que não resistia mais, para um paciente com qualidade de vida totalmente recuperada e com capacidade de voltar a fazer tudo normalmente, inclusive esportes.

Entenda o caso

Quando Silvestre chegou ao Hospital Metropolitano, no dia 25 de junho de 2018, sentindo fortes dores no peito, recebeu o diagnóstico de infarto e foi submetido a um cateterismo. Seu coração já havia sofrido infarto duas vezes anteriormente e, desta vez, piorou muito após o novo infarto. Silvestre continuou tendo fortes dores e falta de ar, mesmo após o cateterismo. Foi quando passou a contar com um balão intra-aórtico – um dispositivo de assistência circulatória mecânica temporária – para facilitar a função de bomba do coração.

“O objetivo era “descansar” e recuperar o coração após o infarto. Mas, mesmo após a retirada deste balão intra-aórtico e com uso de medicações, o coração de Silvestre não respondia e estava entrando em falência, com disfunções nos dois lados”, explica Fernanda.

A condição indicava necessidade de um transplante com urgência. No entanto, durante os exames pré-operatórios, foi descoberta uma complicação que impedia Silvestre de receber um transplante convencional – a hiperresistência pulmonar fixa.

“Esse quadro de alta pressão no pulmão iria, mesmo após o transplante de coração, sobrecarregar o novo órgão que também entraria em falência. Foi quando decidimos pelo coração artificial, que funciona bem independente da pressão pulmonar e que ainda pode reverter esta complicação da hipertenção”, explica Fernanda. “Enquanto aguardava pelo implante do coração artificial, Silvestre teve nova parada cardíaca e precisou, mais uma vez, usar o balão intra-aórtico”, conta.

O implante foi realizado no dia 14 de setembro de 2018, pelas equipes de cardiologia e cirurgia vascular do Hospital Metropolitano, chefiadas, respectivamente, pela Dra. Fátima Cristina Pedroti e pelo Dr. Schariff Moysés.

A expectativa era grande em torno do sucesso deste procedimento e com o passar dos dias toda equipe médica estava voltada para boa recuperação e reabilitação de Silvestre. Agora, o paciente segue com condições de levar uma vida normal e de voltar a praticar todas as atividades que fazia antes. Mas conta também, com um “controle” em mãos para monitorar e garantir que seu novo coração tenha perfeito estado de funcionamento.

Entenda o coração artificial HeartMate3

De acordo com o Dr. Assad, o dispositivo feito de titânio e com tecnologia americana, é o que há de mais moderno no suporte circulatório de longa permanência hoje. Lançado há aproximadamente quatro anos e liberado no Brasil há pouco mais de um ano, este equipamento foi implantado pela primeira vez no país em março, no Hospital Sírio-Libanês, e pela primeira vez no ES agora, no Hospital Metropolitano, do Grupo Meridional.

“Ele não substituiu o coração do paciente, foi implantado ao lado do coração de Silvestre e tem o objetivo dar assistência na distribuição do sangue oxigenado para o restante do organismo. Por isso, ajuda a garantir o bombeamento adequado do sangue em pacientes com insuficiência cardíaca”, explica Dr. Assad.

O equipamento conta com um cabo que sai do corpo do paciente, através de uma pequena abertura na barriga, e está conectado a um outro dispositivo, semelhante a um celular, com visor e bateria, por onde paciente pode acompanhar a funcionalidade do equipamento e receber alertas diversos, como, por exemplo, sobre a carga da bateria. O paciente tem uma técnica de proteção para tomar banho sem molhar a engrenagem e não pode mergulhar.

Os médicos explicam que o próprio paciente é quem faz as trocas da baterias que tem duração entre 6 a 12 horas. A bateria fica do lado de fora do corpo e anda com ele o tempo todo.

Segundo Dr.Assad, a durabilidade média do dispositivo é de até 12 anos, mas ainda não se sabe por quanto tempo Silvestre utilizará o equipamento. “É difícil prever o tempo de resposta mas, em geral, seis meses após o implante, o paciente já apresenta alterações. Nos próximos anos, iremos acompanhar a adaptação do Silvestre ao equipamento. Pode ser que seu problema de pressão pulmonar seja corrigido e que ele tenha condições de, futuramente, receber um transplante de coração”, diz.

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